tumultos em chaise-longue


o erro e a pedra

# xxi
. a pedra inclui a promessa no arremesso. certeza é nome diferente.
_________________________


melancolia zündapp

# lxxv
. antes a serotonina do que o amor.
_________________________


errata d’helder, xlv. página cento e nove, linha dezassete, onde se lê caso deve ler-se asco.
_________________________


o erro e a pedra

# xx
. a tarefa de empurrar repetidamente a mesma pedra morro acima até ao cume sem jamais lograr concretizar a empreitada é quanto custou a σίσυφος o erro de enganar a morte.
_________________________


melancolia zündapp

# lxxiv
. o coração é um sifão.
_________________________


errata d’helder, xliv. página cento e nove, linha doze, onde se lê alma deve ler-se lama.
_________________________


o erro e a pedra

# xix
. propiciada a barricada – ou seja, definida a base e estabelecido o horizonte –, para o exercício da situação, por e para o contraste, antes sobre a calçada do que sobre a praia.
_________________________



melancolia zündapp

# lxxiii
. fortitude, o coração nas mãos. o de outrem.
_________________________



errata d’helder, xliii. página cento e oito, linha três, onde se lê à tona deve ler-se à toa.
_________________________



melancolia zündapp

# lxxii
. no amor não há escala. a estupidez implícita e que implica é suficiente.
_________________________



errata d’helder, xliii. página cento e quatro, linha onze, onde se lê dobra deve ler-se borda.
_________________________



melancolia zündapp

# lxxi
. o amor é um lugar óbvio. apenas a fuga daí - através da morte, quando necessário - salva.
_________________________



errata d’helder, xlii. página cento e um, linha doze, onde se lê comissões deve ler-se comichões.
_________________________



melancolia zündapp

# lxx
. entre coração ou fígado?, o que for melhor com cerveja.
_________________________



errata d’helder, xli. página cento e um, linha sete, onde se lê orgulho deve ler-se gorgulho.
_________________________



melancolia zündapp

# lxix
. dar um tiro no coração e não lhe acertar é o sublime da fatalidade. falhar outra vez é o destino.
_________________________



melancolia zündapp

# lxviii
. o poder de almotolia do coração é o desespero, quando o sangue acelera e aquece, o universo das hipóteses de captura falhada se expande, atingindo uma dimensão não computável. que fazer?, a esta pergunta nenhum coração responde quando é necessário.
_________________________



o erro e a pedra

# xviii
. haja ou não motivo para tal, há sempre oportunidade para arremessar outra vez a pedra.
_________________________



melancolia zündapp

# lxvii
. o coração é um órgão cercado pelo que consegue alcançar. a miséria sente-se por dentro.
_________________________



o erro e a pedra

# xvii
. na fantasia das hipóteses entre o certo e o erro, onde é que o nada tem lugar?
_________________________



melancolia zündapp

# lxvi
. moléstias de coração, a paixão, o amor, portanto a febre e sempre a traição.
_________________________



o erro e a pedra

# xvi
. o erro é uma hipótese, apenas uma hipótese. errar é o horizonte completo.
_________________________



melancolia zündapp

# lxv
. qualquer coração que funcione na condição de smooth operator é fatalmente porque traído ou porque traidor.
_________________________



o erro e a pedra

# xv
. a pedra é um instrumento de aferição tanto da capacidade de alcance quanto do desvio entre o acerto e a falha.
_________________________



melancolia zündapp

# lxiv
. esteja ou não sob assalto, independentemente do regime de sístoles e diástoles, o coração opera em que frequência de traição?
_________________________



o erro e a pedra

# xiv
. na escala da contundência, no modo como amassa a carne ou o osso, a pedra é uma opção igual a qualquer outra. é irrelevante que seja diamante ou cascalho.
_________________________



melancolia zündapp

# lxiii
. há quem espere demasiado, excepto a traição, de um órgão esponjoso que opera em ciclos de contracção e descontracção sucessivos, como se fosse um harmónio obstinado cujo o ritmo varia consoante a solicitação e o alcance. quanta aspiração, quanta ilusão.
_________________________



o erro e a pedra

# xiii
. pode ser certo, pode ser erro, no entanto, no gesto, a pedra não é acidente.
_________________________



melancolia zündapp

# lxii
. coração sputnik, nenhum é ou foi constituído para ser isso.
_________________________



errata d’helder, xl. página noventa e oito, linha onze, onde se lê louça deve ler-se louca.
_________________________



o erro e a pedra

# xii
. a noite não é tenra, é só americana.
_________________________



errata d’helder, xxxix. página noventa e três, linha oito, onde se lê coleira deve ler-se coléra.
_________________________



o erro e a pedra

# xi
. para efeitos de apreciação e julgamento, é mais relevante o destino da pedra do que o arremesso dela.
_________________________



errata d’helder, xxxviii. página noventa e um, linha um, onde se lê histórica deve ler-se histérica.
_________________________



melancolia zündapp

# lxi
. não há corações gémeos, há apenas contingências, casos e acasos.
_________________________



errata d’helder, xxxvii. página noventa, linha vinte, onde se lê frescura deve ler-se fressura.
_________________________



o erro e a pedra

# x
. no erro não há intenção.
_________________________



errata d’helder, xxxvi. página noventa, linha onze, onde se lê viúva deve ler-se vulva.
_________________________



o erro e a pedra

# ix
. a certeza é algo que exige mais uma chaga, a quinta.
_________________________



errata d’helder, xxxv. página noventa, linha quatro, onde se lê plácido deve ler-se flácido.
_________________________



melancolia zündapp

# lx
. nenhum coração mata na solidão em que percute.
_________________________



errata d’helder, xxxiv. página oitenta e sete, linha vinte e um, onde se lê light deve ler-se night.
_________________________



melancolia zündapp

# lix
. o coração jamais foi conhecido por gerar ou suscitar honestidade.
_________________________


errata d’helder, xxxiii. página oitenta e sete, linha nove, onde se lê mel deve ler-se mal.
_________________________


melancolia zündapp

# lviii
. à semelhança do martelo, o coração é uma ferramenta de biscate.
_________________________


errata d’helder, xxxii. página oitenta e sete, linha três, onde se lê lúdico deve ler-se lúbrico.
_________________________


o erro e a pedra

# viii
. mais do que prova de vida, o erro é prova de contacto.
_________________________


melancolia zündapp

# lvii
. o coração é o avesso da revolução, é o compasso.
_________________________


errata d’helder, xxxi. página oitenta e seis, linha onze, onde se lê iodo deve ler-se lodo.
_________________________


melancolia zündapp

# lvi
. o coração não é um órgão de fair play.
_________________________

arquivo